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Ansiedade

Matéria postada por Éric Elie'l
Data da Matéria 21 comentário(s)


Não sei se todo aquele dinheiro valeu a pena na hora que ele assinou o cheque para quitar enfim o tratamento alternativo que prometia eliminar de vez a gastrite nervosa, adquirida quando tentou com êxito bater os doze meses de meta imposta pela empresa, ou ainda, se o rivotril usado sem medidas serviu para amenizar o peso da falta de vida externa que aconteceu por ininterruptos sábados de sol enquanto mofava no escritório.

Ele me ensinou muita coisa, mas, sobretudo me mostrou através dos próprios exemplos que na vida há dois tipos de ganhos: os lucros monetários e financeiros cujos quais precisamos, dado ao período em que vivemos e, os acréscimos de vida e experiências que aniquilam nossas receitas, mas enriquecem singularmente nossa existência através de aprendizados que nos nutrem além do saldo positivo no banco.


Naquela quinta feira à tarde, era como se um elefante tivesse escolhido sentar no meu peito enquanto eu carregava uma senhora gorda nos ombros, o peso era tão estafante que qualquer coisa era mais suportável do que permanecer em frente aquela tela, lendo os milhares de e-mails que diziam não a todas as propostas enviadas anteriormente.

Ansiedade, essa cigarra escandalosa que grita de algum canto, escondida em um lugar que não sabemos identificar, mas sabemos que está lá, como um presságio do futuro que não é físico, mas que se faz palpável e pesado bem no meio do peito.

E quanto presente nós perdemos vivendo de futuro? A moça que vivia na ansiedade por ter trinta e cinco e estar solteira, de tanto desespero se envolveu por medo da solidão e não por amor verdadeiro. O ganhador da mega sena que morreu de infarto ao saber que receberia o prêmio, de tão ansioso que ficou não teve tempo de fazer nada com o dinheiro.

Talvez, essa coisa toda seja a arte de aprender a observar o miúdo, a arte de entregar-se de algum modo ao desapego. Morei em uma série de cidades, seis para ser preciso e, em todas às vezes me desfiz de coisas para poder seguir com a menor quantidade de bagagem possível. Comigo só o que cabia emocionalmente e, para falar a verdade, só as coisas que nos transbordam algum afeto é que de fato merecem ser carregadas.

Todas as vezes que a gente se esfola e morre de ansiedade para conquistar alguma coisinha a mais, quer seja material ou afetiva (não devemos nos esborrachar para conquistar o afeto de ninguém) damos um passo para perto de carregar coisas irrelevantes.

Não que ter um carro, ou um apartamento em na praia não signifiquem nadas, afinal, se fizerem parte dos seus sonhos há que se correr atrás, mas viver na ansiedade por tudo que ainda pretendemos ter pode nos tirar o direito e a graça de amar de mansinho tudo o que já possuímos.


Éric Elie'l , Catarinense, 26 anos, estudante de marketing e apaixonado por tudo que possa tornar a existência mais leve. Observador, gosta de todas as coisas que dizem respeito ao comportamento humano, se interessa por opostos e por dissecar experiências, para extrair não só o que é dito, mas também o que está subentendido. Gosta de avaliar as circunstâncias sob outro ponto de vista, e acredita que escrever é de certa forma materializar o campo de sensações que são as experiências de vida.

11 matérias escritas para o amores possíveis

comentários:


Tere - 22/03/2019 07:31:44
Um resumo muito bom do que se torna a vida de muitas pessoas. Um certo dia olha em volta e vê o que perdeu trabalhando tanto.


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