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VILÕES DA EXISTÊNCIA

Matéria postada por Éric Elie'l
Data da Matéria 4 comentário(s)


Eram meus amigos, se aproximaram casualmente, mas eu sabia que não seria uma amizade que permanece por toda uma trajetória. No tempo em que estive por perto, uns seis anos aproximadamente, eles nunca terminaram de reformar a casa. Mexeram na cozinha, no lavabo, no quarto, projetaram um novo jardim e trocaram o formato da piscina, então mudei de cidade e acabei perdendo o contato.

Dois anos depois, em um encontro fortuito, contou-me que tinham separado logo que terminaram a reforma, disse que mal o último pedreiro se despediu, veio também o pedido de despedida daquele casamento. Com uma necessidade imensa de se abrir, revelou que toda aquela entrega a reformas intermináveis era na verdade a procura por um colete salva-vidas uma tentativa de salvar a relação que estava afundando. Agarraram-se ao que puderam, confidenciou que antes das reformas desnecessárias já tinham frequentado psicólogos e até mudado de religião, mas nada foi capaz de salvá-los, então decidiram assumir a responsabilidade do que tinham criado e trataram de dissolver a união. Completou dizendo que jamais imaginara o vilão terrível que o outro podia ser.


O que é ser vilão? Imagino que vilão seja a personificação de tudo o que nos ataca. A dor, a morte, uma ameaça sorrateira, doenças que podem nos acometer, o assaltante na próxima esquina, o amor não correspondido, o rompimento, o mal como o imaginamos, a política quando danosa, a cegueira social, o fanatismo em todas as esferas, o oculto, a miséria afetiva, o auto boicote.

Quando no auge do desespero, temos a tendência ao apego para fugir das vilanias da vida, queremos um bote salva-vidas e por isso entregamos em mãos – por vezes erradas – o poder da nossa salvação. Investimos, apenas para suprir a falta de pertencimento próprio, em reformas, relações, crenças, amizades, parceiros, times, partidos, com a aflita intenção de encontrar um preenchimento para um buraco que é só nosso. A partir daí nascem os casamentos abusivos, como uma opção a solidão que amedronta. O fanatismo religioso, como uma alternativa para preencher os difíceis questionamentos que a vida proporciona e que por vezes não serão respondidos. A entrega desmedida a qualquer coisa que nos aproxime de uma afinidade com algum grupo ou pessoa para não termos que lidar sozinhos com as nossas próprias questões.

O vilão mais perigoso é aquele que vem fantasiado de colete salva-vidas, aquele que apresenta uma alternativa ao desespero, mas que nos entorpece a ponto de ocasionar uma cegueira particular e social, o vilão mais perigoso não é aquele que diz a que veio que se revela cotidianamente, que nos ensina a lidar com nossas próprias limitações, mas sim aquele que fingindo ser doce e bem intencionado nos afasta do pensamento crítico, nos tira do círculo que queremos cultivar, nos oprime a respeito da nossa essência e a respeito do que de fato queremos, nos limita e paralisa a nossa vida.

Por vezes com medo de olhar um desastroso perigo iminente, como o findar de uma relação e por nos recusarmos a olhar internamente e cuidar das nossas feridas, acabamos depositando nossas esperanças em alternativas remediadoras, mas extremamente doloridas em longo prazo, afinal não há outro caminho se não o caminho.

Mais vale a corporificação do mal que nos ensina à duras penas, do que os botes salva-vidas que como paliativos prolongam a dor, mas ao final nos deixam a deriva em um oceano sombrio e desconhecido. Muito melhor enfrentar cara a cara um vilão, com a esperança de sairmos fortalecidos, do que nos rendermos a subterfúgios que nos enganam, deprimem e ceifam a nossa existência até o fim.

Éric Elie'l , Catarinense, 26 anos, estudante de marketing e apaixonado por tudo que possa tornar a existência mais leve. Observador, gosta de todas as coisas que dizem respeito ao comportamento humano, se interessa por opostos e por dissecar experiências, para extrair não só o que é dito, mas também o que está subentendido. Gosta de avaliar as circunstâncias sob outro ponto de vista, e acredita que escrever é de certa forma materializar o campo de sensações que são as experiências de vida.

8 matérias escritas para o amores possíveis

comentários:


Cátia - 21/05/2018 01:04:34
Fato!

Nyl42 - 19/05/2018 21:42:24
Muito bom!!! Parabéns!

Andréa - 19/05/2018 19:42:32
Lindo!

Luana - 18/05/2018 13:25:08
Adorei!



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